Assinala-se, no próximo domingo, um dia importante: o Dia Internacional da Mulher. Um dia para fazer perdurar na memória colectiva o longo caminho percorrido para as conquistas de direitos e deveres, conquistas de dignidade e respeito.
Como toda a gente, sou, em simultâneo, várias "Anas". A Filha, a Mãe, a Avó, a Amiga, a Pediatra e, por agora, a Ministra... Nestas, e em todas as outras Anas, sou, sobretudo, MULHER. Sabe-me bem acreditar que este género, que me calhou em nascimento, me confere uma dupla sensibilidade que tento, diariamente, colocar ao serviço das funções e responsabilidades que vou assumindo.
Enquanto Ministra, tenho visitado centenas de instituições de saúde. Tenho conhecido pessoas que, por via da doença que as afecta, estão em situação de fragilidade e, de uma forma absolutamente despojada, se colocam nas nossas mãos. A minha condição de MULHER tem-me ajudado a gerir o turbilhão de sentimentos – tantas vezes contraditórios – que estas situações de sofrimento e desespero geram. Permite-me assumir que, apesar de ser Ministra, não tenho certezas absolutas sobre muitas coisas e, por isso, permite-me a humildade de pedir conselhos e de ouvir várias opiniões, e com elas melhorar o meu desempenho enquanto política ao serviço da Nação.
Mas, sobretudo, a minha condição de MULHER permite-me chegar a casa ao fim do dia e passar o dia em revista. Se foi produtivo, não me inibo de partilhar os sucessos com familiares e amigos. Mas é também neles que procuro conforto e energia, se me sinto frustrada e desgastada. Porque ser MULHER ensinou-me que os dias maus também chegam ao fim e que, invariavelmente, pela madrugada, o Sol volta a nascer.
Aliás, esta é a convicção mais forte de todas as MULHERES… e as MULHERES MINISTRAS não são diferentes.
Ana Jorge
Ministra da Saúde
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