Portugal registou, nas últimas 24 horas, nove casos, confirmados laboratorialmente, de infecção pelo vírus da Gripe A (H1N1), cinco resultantes de transmissão secundária e quatro importados.
Entre os casos de transmissão secundária estão dois meninos e uma menina de dois anos de idade, uma outra menina de quatro e um jovem de 17 anos que se encontra internado no Hospital Curry Cabral. As crianças, por decisão da equipa médica do Hospital Dona Estefânia, estão em casa a fazer tratamento.
Quanto aos quatro casos importados, são dois jovens de 18 anos do sexo masculino, regressados do Reino Unido, uma mulher de 44 anos, vinda do México, e um menino de dois anos, também ele regressado do México. A criança encontra-se em tratamento em casa e os três adultos internados no Hospital Curry Cabral.
Todos os casos registados estão clinicamente bem.
Verificaram-se, em Portugal, desde o início de Maio, 57 casos confirmados de Gripe A (H1N1), resultando nove deles de transmissão secundária. O Ministério da Saúde relembra que a totalidade de casos confirmados não representa o mesmo número de doentes. Na maioria dos casos, a doença foi já tratada e as pessoas retomaram as suas vidas.
O aumento do número de casos importados e de transmissão secundária era já previsível pelas autoridades de saúde pública, tendo em conta a evolução natural da epidemia. Não há, por isso, qualquer razão para alarme, mas sim para uma atenção redobrada.
O Ministério recomenda também a toda a comunidade – famílias, escolas, empresas, etc. – que adopte comportamentos que dificultem a transmissão do vírus.
Além da identificação, isolamento e tratamento dos casos, o Ministério da Saúde, através da Direcção-Geral da Saúde, em colaboração com a Escola Nacional de Saúde Pública e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, está, há dois meses, a analisar essa resposta social à transmissão, reportando-a periodicamente, para que os comportamentos da comunidade se adaptem à situação epidemiológica.
Estamos já em condições de anunciar que foi decidida a pré-reserva de vacinas para 30% da população, à semelhança do que está a ser feito na maioria dos países europeus. Encontramo-nos, neste momento, a negociar com os diferentes laboratórios farmacêuticos a sua reserva. Não há qualquer atraso no processo de pré-reserva de vacinas. Existe já a garantia de que teremos a quantidade necessária, assim que a vacina for produzida.
O Ministério da Saúde alerta, mais uma vez, os cidadãos para, em caso de sintomas de gripe, independentemente de terem viajado para fora do país, contactarem de imediato a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e seguirem as indicações dos profissionais de saúde. Esta deve ser a primeira medida a tomar antes de se dirigirem a um serviço de saúde.
O contacto com a Linha de Saúde 24 permite, perante os sintomas descritos e informações prestadas pelo utente, reconhecer se se trata de uma suspeita de Gripe A.
Isto evita o incómodo de uma ida desnecessária à urgência hospitalar.
Em caso de suspeita de infecção pelo vírus da Gripe A, o contacto inicial com a Linha de Saúde 24 garante ao utente o transporte imediato, pelo INEM, para um dos hospitais de referência, em condições que salvaguardam a sua saúde e a das pessoas que com ele contactam, diminuindo o risco de contágio da infecção.
A passagem à fase 6 do alerta de pandemia, decidida pela Organização Mundial de Saúde, deve-se à facilidade e velocidade de propagação do vírus a nível mundial.
O Ministério da Saúde tomará as medidas previstas no Plano de Contingência que venham a revelar-se necessárias em cada momento e garante que as autoridades de saúde monitorizam permanentemente o evoluir da situação.
Reforçamos ainda, entre outras recomendações, a importância da lavagem frequente das mãos, da protecção da boca e do nariz ao tossir ou espirrar, sempre que possível com lenços de papel que não devem ser reutilizados, para evitar a rápida propagação do vírus.
Aproveito ainda para anunciar que está já constituída uma rede de coordenação entre os laboratórios que fazem a identificação do vírus da Gripe A (H1N1). As análises eram realizadas apenas no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e nos laboratórios do Hospital Curry Cabral. A partir de agora, passarão, progressivamente, a ser efectuadas nos laboratórios do Hospital de São João, dos Hospitais da Universidade de Coimbra e no Laboratório Regional de Saúde Pública do Algarve Dr.ª Laura Ayres.
O Ministério da Saúde faz, diariamente, o ponto de situação da evolução da infecção da Gripe A no seu site (http://www.portaldasaude.pt/). A mesma informação pode também ser consultada no Microsite da Gripe, no site da Direcção‐Geral da Saúde (http://www.dgs.pt).
Tendo em conta o crescente número de casos suspeitos que, diariamente, são investigados, o Ministério da Saúde decidiu comunicar apenas aqueles cujos resultados se revelem positivos.
Lisboa, 7 de Julho de 2009