Dia da Mulher no Estabelecimento Prisional de Tires

Selo da República

Intervenção da Ministra da Saúde em sessão sobre HPV e cancro do colo do útero no Estabelecimento Prisional de Tires.

Senhor Ministro da Justiça,
Senhor Presidente do IPO de Lisboa,
Senhor Director-Geral dos Serviços Prisionais,
Senhor Presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro,
Minhas senhoras e meus senhores,

O Dia Internacional da Mulher não é um dia de festa.

A 8 de Março evocamos as operárias têxteis de uma fábrica em Nova Iorque que pagaram com a vida a luta pela diminuição da jornada de trabalho e por salários iguais aos dos homens.

Por isso, assinalar o 8 de Março é, antes de mais, um acto constante de luta por uma sociedade mais justa e mais solidária. Uma sociedade em que sejam abolidas todas as formas de discriminação. Uma sociedade em que a igualdade seja um valor efectivo.

E não há valor mais absoluto para qualquer ser humano do que a Saúde.

A Saúde é, porventura, o primeiro dos valores numa sociedade. E é por isso que cabe ao Estado assegurar esse valor.

Não me canso de dizer que uma das maiores conquistas do Portugal Democrático é o Serviço Nacional de Saúde.

É o Serviço Nacional de Saúde que tem assegurado, ao longo de mais de 30 anos, que a Saúde é um Valor para Todos. Para Mulheres e Homens. Pobres e Ricos. Para Todos.

E é este serviço público que é responsável pela melhoria global dos indicadores de saúde: menos mortalidade materna, infantil e perinatal, menos mortalidade decorrente de doenças transmissíveis, aumento da esperança de vida para mulheres e homens.

E estes resultados são alcançados porque temos um serviço público de saúde. Que garante o acesso a todos. Que aposta na numa actuação preventiva.

E hoje aqui estamos, com mais um exemplo.

O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, em conjunto com a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e a Liga Portuguesa Contra o Cancro, está a promover junto da população prisional feminina rastreios e sessões informativas sobre a prevenção do cancro do colo do útero.

Trata-se de um projecto da maior importância e gostaria de vos chamar a atenção para alguns dados:

O cancro do colo do útero é um dos cancros em que a prevenção activa é uma aposta ganha, porque permite, efectivamente, salvar vidas. E são vidas de mulheres jovens, porque são estas as mais atingidas por este cancro, que decidimos proteger quer através do rastreio, quer com a introdução da vacina contra o HPV no programa nacional de vacinação. Fomos dos primeiros países da Europa a fazê-lo e hoje gostaria de partilhar convosco os últimos dados da vacinação entre as jovens.

No primeiro grupo de meninas a vacinar, as nascidas em 1995 e que já fizeram 13 anos:

  • 83% já completaram o esquema de vacinação com 3 doses;
  • 91% já fizeram a primeira dose;
  • A 88% destas jovens falta apenas uma dose para completar o esquema de protecção vacinal.  

No grupo das jovens nascidas em 1992, com 17 anos no início da sua vacinação contra o HPV, em 2009: 

  • 83% fizeram a primeira dose;
  • 77% já foram fazer a segunda dose;
  • 55% completaram o esquema de vacinação.

É muito importante que todas as jovens terminem a sua vacinação, pois estarão mais protegidas contra o vírus que provoca o cancro do colo do útero.

As jovens devem procurar a vacina antes do início da sua vida sexual, porque o vírus do papiloma humano (HPV) transmite-se sexualmente e é, sem dúvida, o principal responsável pelas lesões que originam o cancro do colo do útero.

Todos os anos são diagnosticados cerca de 900 casos de cancro do colo do útero em Portugal. 

Apostar na prevenção é apostar em meios que garantam a igualdade de todas as cidadãs no acesso a esses instrumentos.

E essa igualdade de acesso consegue-se porque existe serviço público de saúde: para promover rastreios de forma organizada, para incluir no Plano Nacional de Vacinação a vacina que pode salvar a vida a muitas das vossas filhas.

Considero, por isso, particularmente feliz o lema desta sessão de hoje: “Vacinar as filhas. Rastrear as mães”.

Senhor Ministro da Justiça,
Minhas senhoras e meus senhores,

O projecto que hoje aqui apresentamos terá resultados.

É um projecto que se estenderá a toda a população prisional feminina. É um projecto que é aplicado, desde 2009, também nas escolas secundárias e noutras entidades públicas e privadas por esse País fora.

Um projecto que leva a promoção da saúde a todas e a todos. Um projecto que honra os propósitos do Serviço Nacional de Saúde.

Um projecto que tem resultados. Não hoje. Mas no futuro.

Um resultado que as beneficiárias directas talvez nunca dêem por ele, porque serão poupadas ao sofrimento.

Também as mulheres de hoje que beneficiam de igualdade no emprego não darão tanto relevo a essa conquista. Mas, lá atrás na história, as operárias de Nova Iorque lutaram para que esse ganho fosse hoje uma coisa natural.

Cabe-nos a nós lutar para ganhar vidas mais à frente e poupar milhares de mulheres ao sofrimento da doença.

Juntos, conseguimos.

Muito obrigada.

Data de publicação 08.03.2010
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