Dia Mundial Sem Tabaco assinalado em Silves

Mesa do colóquio

ARS Algarve e Escola Superior de Saúde Jean Piaget assinalam Dia Mundial sem Tabaco com um colóquio.

Veloso Gomes, cardiologista do Hospital Distrital de Faro

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, em colaboração com a Escola Superior de Saúde Jean Piaget de Silves, assinalou ontem, 31 de Maio, o Dia Mundial Sem Tabaco, com a realização de um colóquio sobre os malefícios do tabaco para a saúde.

A iniciativa decorreu no Auditório da Escola Superior de Saúde Jean Piaget e juntou vários profissionais do Hospital Distrital de Faro e do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.

Mais de 20 por cento dos portugueses partilha o hábito de fumar. Apesar dos dados não serem motivo de orgulho, a tendência parece estar a mudar. Segundo o mais recente Eurobarómetro da Comissão Europeia, o número de fumadores em Portugal tende a diminuir. Todavia, o consumo do tabaco continua a ganhar terreno entre as mulheres.

"Em Portugal os dados não são motivo de orgulho, temos uma prevalência global de 19,2 por cento, em que, numa distribuição por género, verificamos uma aceleração do número de mulheres fumadoras e, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, as mulheres têm ganho terreno", referiu Bruno Santos, do Serviço de Pneumologia do Hospital Distrital de Faro, durante a sessão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é, actualmente, a principal causa de morbilidade e mortalidade prematura e evitável no mundo.

Bruno Santos, que apresentou um trabalho sobre o pulmão fumador, traçou um quadro bastante pessimista para as próximas décadas: "O tabagismo assume mesmo contornos de uma verdadeira epidemia. Estima-se que nas próximas décadas venha a atingir valores muito importantes, com um ganho de terreno muito importante nos países em desenvolvimento. Calcula-se dez milhões de mortes em 2030".

João Munhá, do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, que falou sobre a mulher e as doenças do tabaco, considera que "a verdadeira epidemia do tabaco é para as mulheres", destacando que "neste momento existem 22 milhões de mulheres adultas e pelo menos 1,5 milhões de mulheres adolescentes que fumam, isto a nível mundial".

Tendo em conta que existem algumas particularidades do tabagismo nas mulheres, o médico enumerou algumas doenças relacionadas com o consumo do tabaco e que estão a aumentar nas mulheres: "Em relação ao cancro do pulmão, existem cada vez mais dados a favor de que as mulheres são mais susceptíveis do que os homens aos cancerígenos existentes no tabaco. O cancro do pulmão é cada vez mais a doença também das mulheres. A incidência do cancro do pulmão nos homens está normalizar enquanto nas mulheres está a aumentar".

Perante esta realidade, a luta contra o tabagismo terá de passar necessariamente pela prevenção. Quem o defende é Veloso Gomes, do Serviço de Cardiologia do Hospital Distrital de Faro, que dedicou a sua apresentação ao coração fumador.

Outra medida apontada por Veloso Gomes para alterar o actual cenário passa pela adopção de leis restritivas e mesmo proibitivas de fumar em locais fechados. "Nenhum país conseguiu reduzir o consumo do tabaco sem leis a proibir o tabaco", sublinhou durante o debate.

Fonte: Administração Regional de Saúde do Algarve

Data de publicação 01.06.2006
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