ARS Algarve alarga combate à obesidade infantil

Logótipo do Programa de combate à obesidade infantil da região do Algarve

Administração Regional de Saúde do Algarve apresenta resultados do estudo de prevalência da pré-obesidade infantil.

Fotografia da apresentação pública dos resultados do estudo de prevalência da pré-obesidade Infantil na região do Algarve

Cerca de 30% das crianças algarvias têm excesso de peso, das quais 20% sofrem de pré-obesidade e 10% de obesidade, revelou Ana Freitas, da Escola Superior de Saúde de Faro (ESSaF), durante a apresentação pública dos resultados do Estudo de Prevalência da Pré-Obesidade Infantil na Região do Algarve.

A sessão de apresentação dos resultados do estudo decorreu a 26 de Março, no Auditório da Escola Superior de Saúde de Faro, tendo contado com a presença de Cristina Padez, do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, e de Isabel do Carmo, da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Realizado no âmbito do Programa de Combate à Obesidade Infantil no Algarve, as autoras do estudo, ao abrigo de um protocolo entre a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve e a ESSaF, avaliaram 1.021 crianças com idades entre os 7 e os 9 anos, a partir de dados obtidos em escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico aleatoriamente seleccionadas, durante o ano lectivo de 2005/2006.

"Dos 7 aos 9 anos, das 1.021 crianças avaliadas, foi possível identificar uma prevalência de 20,4% com pré-obesidade e de 10% com obesidade", apontou Ana Freitas no decorrer da sessão, sublinhando que estes dados não são significativamente diferentes daqueles que foram encontrados por Cristina Padez para o resto do país, no âmbito de um estudo semelhante realizado a nível nacional.

A segunda fase do estudo está direccionada para a intervenção comunitária. Como tal, foram identificadas as escolas onde existe uma maior prevalência de pré-obesidade e obesidade.

"As escolas consideradas prioritárias em termos de intervenção situam-se em Quarteira, Portimão, Faro e Silves", enumerou a professora do ESSaF.

A Coordenadora do Gabinete de Nutrição da ARS Algarve e  uma das responsáveis pela elaboração do estudo, Teresa Sancho, referiu que estes resultados são efectivamente preocupantes, sublinhando que "são percentagens de prevalência que se correlacionam muito com o baixo nível sócio-económico do nosso país e que, de resto, se encontram nos países do sul da Europa".

Para Cristina Padez, a indústria alimentar é de facto a principal responsável por esta epidemia que prolifera nas sociedades modernas. Segundo a docente da Universidade de Coimbra, esta "aproveita-se do vazio legislativo, para encher o mercado de produtos baratos, mas altamente calóricos e com teor de gordura elevadíssimos".

Isabel do Carmo, na mesma linha de opinião, defendeu, como forma de combater o problema, o encerramento dos bares escolares durante o horário das refeições para evitar que os alunos comam alimentos hipercalóricos, bem como a proibição de venda de determinados alimentos nos bares escolares.

No final da sessão, foi celebrado um aditamento ao protocolo de colaboração já existente, envolvendo, além das entidades já abrangidas, a Federação Regional de Associações de Pais do Algarve, a Delegação Distrital do Instituto do Desporto de Portugal e as restantes autarquias da região.

Recorde-se que, no âmbito do Programa de Combate à Obesidade Infantil no Algarve, foi celebrado, a 10 de Março de 2006, um protocolo de colaboração entre a ARS e a Universidade do Algarve, envolvendo também o Hospital Distrital de Faro, o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, a Direcção Regional de Educação do Algarve, a Grande Área Metropolitana do Algarve e nove Câmaras Municipais da região.

O Programa desenvolveu-se, na 1.ª fase, com a execução do estudo referido. Segue-se a 2.ª fase, com a realização de um conjunto de acções concertadas e articuladas por diversas instituições da região, visando melhorar a qualidade nutricional das refeições em todos os estabelecimentos de educação da rede pública do Algarve, quer em termos qualitativos quer em termos quantitativos, sensibilizar os responsáveis pela decisão das opções alimentares para as merendas escolares subvencionadas pelo Estado, conseguir a criação de instalações desportivas e recreativas e/ou melhoria das existentes, sensibilização da comunidade escolar para a prática de uma alimentação saudável e de actividade física regular, bem como a detecção e acompanhamento multidisciplinar de casos de pré-obesidade e obesidade em crianças e adolescentes.

Fonte: Administração Regional de Saúde do Algarve

Data de publicação 03.04.2007
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