O vírus do papiloma humano (HPV) é responsável por um elevado número de infecções, que, na maioria das vezes, são assintomáticas e de regressão espontânea. Porém, pode originar lesões benignas, como as verrugas anogenitais/condilomas acuminados e as lesões benignas da orofaringe, e, em situações relativamente raras, pode evoluir para cancro, com destaque especial para o cancro do colo do útero.
O que é o vírus do papiloma humano?
O HPV é um vírus sexualmente transmissível com a capacidade de infectar todas as pessoas, independentemente do seu sexo, idade, etnia ou localização geográfica.
Desde o início dos anos 90, a associação deste vírus com o desenvolvimento do carcinoma do colo do útero, verrugas e outras patologias anogenitais, tem sido muito forte, acreditando-se hoje que esteja presente em 99% dos casos de cancro do colo do útero.
As Infecções pelo HPV são extremamente comuns. A maioria não provoca doença, desaparecendo espontaneamente.
Existem diferenças ao nível das infecções por HPV, sendo que a presença de papilomas ou de verrugas genitais sugere infecção por HPV não oncogénicos (baixo risco), enquanto que, no caso de lesões do colo do útero, os mais frequentes são os oncogénicos (alto risco).
Quais são os tipos de HPV que existem?
Até à data, existem mais de 200 tipos de HPV identificados, dos quais cerca de
40 infectam, preferencialmente, o trato anogenital: vulva, vagina, colo do útero, pénis e áreas perianais. De acordo com o seu potencial oncogénico, os HPV podem ser classificados em vírus de “baixo risco” e de “alto risco”.
Dos aproximadamente 15 HPV de alto risco que podem infectar o tracto anogenital, os genótipos 16 e 18 são responsáveis por 70% a 75% dos casos de cancro do colo do útero, estando também associados a alguns casos de cancro vulvar, vaginal, peniano e anal. Cada um dos restantes genótipos está associado a menos de 5% dos casos de cancro do colo do útero (dados do ECDC - Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, 2008).
Os HPV de baixo risco estão associados ao desenvolvimento de verrugas genitais. Em 90% destas situações são identificados os HPV 6 e 11, não existindo diferenças entre sexos. Estes genótipos estão também associados a entre 80 e 90% dos casos de papilomatose respiratória recorrente, doença muito rara, mas de elevada morbilidade.
A infecção (sexual) por HPV é frequente?
É estimado que cerca de 75% dos homens e mulheres sexualmente activos irão ter pelo menos uma infecção por HPV em alguma altura da sua vida.
Não há cura conhecida para as infecções por HPV, mas a grande maioria das pessoas tem um sistema imune adequado e consegue eliminar a infecção do seu organismo.
Embora uma elevada percentagem de pessoas sexualmente activas seja infectada pelo HPV, só numa pequena proporção irá ter o potencial de evoluir para cancro.
Como pode ser transmitida?
As infecções genitais por HPV são, geralmente, transmitidas por via sexual, através do contacto epitelial directo (pele ou mucosa) e, mais raramente, por via vertical, durante o parto. Estão também descritos alguns casos de transmissão por contacto orogenital.
O vírus pode também ser transmitido através das relações sexuais e estar presente, durante alguns anos, no colo do útero, sem provocar doença. Pode, no entanto, levar a lesões pré-malignas que, se não forem tratadas, tendem a evoluir para cancro.
Ainda que não assegure uma protecção completa, o uso de preservativo diminui o risco de contrair uma infecção por transmissão sexual, como, por exemplo, o HPV.
Quais são os sintomas?
O HPV provoca frequentemente uma infecção silenciosa, sendo que muitos dos infectados não têm sintomas, nem sinais óbvios.
Por vezes, as verrugas estão presentes, mas não são visíveis, por se encontrarem numa parte interna do corpo ou por serem muito pequenas.
As verrugas anogenitais, também chamadas condilomas, podem apresentar-se como pequenas lesões elevadas, tipo couve-flor, ou podem ser planas.
Durante a gravidez, o número e tamanho das verrugas pode aumentar, mas diminui, normalmente, depois do parto.
Quais as formas de tratamento de uma infecção por HPV?
O tratamento das infecções por HPV depende de diversos factores, entre os quais a idade da paciente, o local e o número de lesões e o estado de saúde geral da mulher.
É muito importante o acompanhamento médico e uma vigilância assídua, mesmo no pós-tratamento.
Apesar de existir várias formas de tratamento, não há um tratamento único, sendo que a maioria tem como finalidade destruir o tecido infectado.
Como posso prevenir o HPV?
Aprender sobre medidas preventivas e utilizá‐las de forma consistente. Aprender sobre sinais e sintomas de infecções de transmissão sexual, consequências e métodos de transmissão.
A mulher deve realizar regularmente um exame ginecológico e fazer a colpocitologia e/ou o teste de HPV‐DNA, se recomendado e disponível, mesmo que tenha feito a vacina. Na vigilância ginecológica pode discutir com o médico o rastreio de situações a que possa ter estado exposta.
O uso de preservativos de látex e de poliuretano está indicado na prevenção de todas as infecções de transmissão sexual. É de lembrar que as áreas de pele não cobertas pelo preservativo não estão protegidas.
Falar com o(a) parceiro(a) sobre as infecções de transmissão sexual e sua prevenção.
Ter em conta que os comportamentos prévios de um(a) parceiro(a) também são um factor de risco, principalmente se este(a) teve múltiplos(as) parceiros(as) anteriores.
Fazer a vacina na mulher, de acordo com o Programa Nacional de Vacinação, ou consoante recomendação médica.
Adicionalmente, é necessário:
- Manter a higiene e visitar regularmente o médico. Se estiver perante os sintomas descritos, procure o seu ginecologista: comichão, corrimento, sangramento anormal (fora da menstruação) e dor durante a relação sexual.
- Reduzido número de parceiros sexuais e uso do preservativo, apesar de alguns estudos revelarem que este não garante protecção contra a infecção. A maioria das pessoas sexualmente activas pode estar infectada. Fale com o(a) seu/sua parceiro(a)!
- Estão descritos como co-factores de risco para o desenvolvimento de cancro do colo do útero: hábitos tabágicos, uso de contraceptivos orais, presença de doenças venéreas, deficiências nutricionais, idade precoce da primeira relação sexual e múltiplos parceiros sexuais.
Em que consiste a vacina do HPV?
A vacina não protege contra todos os tipos de HPV que podem provocar cancro, mas previne o cancro do colo do útero associado aos dois tipos de HPV mais frequentes.
A idade ideal para vacinação é entre os 12 e 13 anos, sendo que, actualmente, estão recomendadas três doses:
- 1.ª dose – 13 anos
- 2.ª dose - 2 meses após a 1.ª dose
- 3.ª dose - 6 meses após a 1.ª dose
A administração da vacina deve ser registada no Boletim Individual de Saúde.
Todavia, a vacina não protege contra a infecção por todos os tipos de HPV, não prevenindo a totalidade dos casos de cancro do colo do útero, cancros anogenitais e verrugas genitais.
A vacina é exclusivamente preventiva e deve ser administrada, de preferência, antes do início da vida sexual activa.
A maior incerteza no que respeita à vacina diz respeito à duração da imunidade, uma vez que, tratando-se de um fármaco novo, não é possível comprovar a sua persistência para além de cinco anos.
Quais são as vacinas comercializadas em Portugal?
- Bivalente - Contempla os serotipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% de casos de cancro do colo do útero.
- Tetravalente - Contempla os serotipos 16, 18, 6 e 11, responsáveis por cerca de 90% das verrugas anogenitais.
É recomendada a vacinação nos homens?
A infecção por HPV no homem raramente evolui para doença grave.
Se notar verrugas genitais, deve:
- Recorrer a uma consulta (Médico de Família, Consulta de Infecção de Transmissão Sexual, Urologista).
- Alertar a(o) sua/seu parceira(o), que deverá também ser observada(o).
- Usar preservativos nas relações sexuais.
A vacinação no homem, embora possa ser efectuada pontualmente, por indicação médica, não é recomendada.